Esquente: Pescar é uma arte que exige muita paciência e aplicação

Marco Aurélio Martins / Agência A TARDE

Vavá trabalha na colônia do Rio Vermelho há 53 anos

Isca, anzol e vara de pescar. Seja no mar ou em tanques artificiais, o ato de capturar peixes na água exige paciência e habilidade. Amadores e profissionais contam sobre a atividade e revelam que, além de ofício e hobby, a pescaria pode ser considerada uma arte.

Valdimiro Soares Zoanny, pescador profissional, por exemplo, começa a lida antes de os primeiros raios de sol despontarem no céu. Diariamente, por volta das 3 horas, ele deixa o bairro da Federação e segue para a colônia de pescadores do Rio Vermelho. Com um barco a motor, navega por duas horas até chegar à área do Baixio Coroa, no alto-mar, onde começa a pescaria.

Vavá, como é conhecido pelos companheiros de trabalho, faz o mesmo percurso marítimo há 53 anos. “Comecei com 15 anos aqui. Hoje eu tenho 68 bem vividos”, diz.

Neto de índio, ele relata que aprendeu a pescar com os profissionais da região. Entra no mar, todos os dias, com muita fé em Deus e nas águas. “O resto pode estar contra”, afirma, cheio de convicção.

Sem cerimônias, conta que possui outras habilidades profissionais. “Sou motorista, encanador, mecânico, eletricista, carpinteiro naval, encanador, pedreiro, sapateiro e pescador”, conta, logo após revelar que começou a trabalhar bem cedo, aos 9 anos, como sapateiro.

Cheio de histórias para contar, ele faz questão de narrar o dia em que ficou à deriva por cinco horas seguidas. “O barco virou e eu vim nadando até o Quartel de Amaralina. O barco não tinha motor, era só pano. Chegamos nus, eu e mais dois tripulantes. Tiramos o calção, porque dificultava o nado. Levamos bronca no quartel”, relembra.

Depois de explicarem sobre o incidente, receberam roupas limpas, uma xícara de café e uma dose de cachaça cada um. “Foi para esquentar”, justifica. O corpo ficou todo paralisado e o “tato na mão” só voltou no outro dia. Quando o “causo” aconteceu, Vavá tinha 38 anos. E garante: essa história é de pescador, mas é verdade.

Onde pescar? - Na capital baiana, o Clube de Pesca de Salvador (Clupesal) reúne interessados em incentivar a pesca esportiva na região. “Tudo começou com reuniões de um grupo de amigos dispostos a manter a prática viva”, conta Ervin Bobel Neto, um dos dirigentes do grupo. Além de agregar os integrantes, o Clupesal promove campeonatos mensais e mantém um endereço eletrônico (www.clupesal.com.br ) para orientar e tirar as dúvidas técnicas dos internautas.

Para praticar em família, vale conferir o Clube Recreativo Acris, um pesque-pague localizado em Camaçari, onde é possível alugar instrumentos por um preço acessível e pescar à vontade.

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FONTE: JORNAL A TARDE